I
Nunca mais foi cítrico o mistério, o véu e o vívido
o ocaso do laço e o signo: capricórnio
em casas perdidas e na destreza dum gato cinza
amadeirado em correntes douradas
enquanto fabrica-se o íntimo:
a jocosa Lua, musa tão esclarecida,
os certeiros astros, como ruínas de Cartago,
no que se ama mais que a lógica:
um punhado de destino.
Enquanto seguimos filhos da pressa
as previsões em fogo baixo, fugir do cansaço,
no neon que cobre esses bagulhos
os pilotos que só de ver já desistimos,
no cochilo após o almoço, nos desenhos das pernas,
no social? Meu traje afasta
e nesse Menu, qual a escolha?
Lápis na orelha, palito nos dentes,
senhores em cavalos pisoteiam eclipses
enquanto o mar for só ferrugem e
poemas detestáveis caravelas,
ouve o som dos peixes estúpidos
que cantam para estrelas sem nome
na escala que só diz escuridão.
II
Outra parada do trem sem bagagem
na claustrofobia daqueles metros quadrados
da memória com cheiro de lajota molhada,
cimento batido,
e a bem vinda brisa em tom do chapisco
no luminoso borogodó do cobogó,
na festividade de luzes tão xânticas
reconhecendo que morar é destino
e destino: uma pista maldita,
mais um entre tantos, mas é que funciona
trilho descarrilado no laço do cântigo
roteiro, futuro, do pretérito, subjuntivo,
o Sol no quintal, mal rabiscado, espanta a chuva
o Sol sob as nuvens, totalitário, faz salgar
em todo passado, perfeito, desconcertante
é como se tudo já se soubesse,
e é bom.
III
Deixar o aquário de águas turvas,
criar-se entre reis, vencer toda partida,
pelejar os hormônios. Sonhar com um quarto branco,
remoer a propaganda, recuar porque é possível. A estrada é toda sua,
quem construiu?
Na madrugada perguntar:
quem é que paga?
O salão bem cheio de belos convidados. Falam coisas bonitas,
o orçamento dos sorrisos, o arcano dos empregos,
e aqui dentro, o que me afunda?
O salão bem cheio de belos convidados. Nenhum agoniza.
O salão bem cheio de belos convidados. Não existir.
O salão bem cheio de belos convidados. Especialistas.
Perdoar todo o estigma. Nunca mais e outra vez,
não há sequer tempo no mundo,
exceto nesse crânio que não afirma
fraqueza e mercúrio.
IV
Rosto estranho como comove vênus
história rica em escorpião e deserto
na regência dos lábios e nas cópias romanas
a pesquisa abandonada, as estradas mais rústicas
o calor que é possível sentir como se Afrodite
nascida de mim, próspera em ti,
resgatando de Atenas a memória afetiva
em Olimpos deliciosos
desejos olímpicos
picos de tudo.
E todo esse mapa é fogo;
queimemos a terra,
os barcos,
poetas,
o escuro,
o mistério,
o fraco e o bom.
Estranho rosto, tratado saturno
em notas sem manual,
tomemos juntos, não só dois, talvez haja mais
perfeitos os cálculos, resultados sem fórmula,
vermelhos, de olhos venenosos, como sempre quis
dourados, como os trajes dos santos, guerreiros,
assertivos, dissertam:
se em todo deus há uma rotina
no meu falta sacrifício,
corta-se o plano galáctico
aquecendo os vivos atrás da cortina.
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